O que recrutadores avaliam em poucos minutos — e por que tanta gente boa fica pelo caminho.

Você pode estudar todos os dias, montar projetos, alimentar o GitHub e ainda assim ouvir o mesmo silêncio depois das entrevistas. A verdade é dura, mas libertadora: não é falta de esforço. É falta de estratégia.

Nos processos seletivos de tecnologia em 2025, quem entende o jogo sai na frente. E ele é bem diferente do que te contaram.

O jogo mudou — e muita gente ainda não percebeu

Durante anos, a mensagem foi simples: “tenha portfólio, use GitHub e passe no teste técnico”.
O problema é que isso virou o básico, não o diferencial.

Hoje, recrutadores e líderes técnicos fazem perguntas diferentes:

  • Esse candidato sabe explicar o que fez?

  • Ele entende por que tomou certas decisões?

  • Dá para confiar que vai resolver problemas reais no dia a dia?

Código virou meio. Pensamento virou fim.

O mito do “quanto mais projetos, melhor”

Esse é um dos erros mais comuns — e mais prejudiciais.

Ter muitos projetos:

  • não garante entrevistas

  • não impressiona automaticamente

  • pode, inclusive, atrapalhar

Por quê?

Porque projetos repetidos, rasos ou copiados de tutorial não mostram raciocínio. Mostram execução mecânica.

Hoje, 1 projeto bem explicado vale mais do que 10 mal contextualizados.

Portfólio: de vitrine bonita a prova de pensamento

O portfólio deixou de ser “mostruário” e passou a ser evidência.

O que realmente pesa em um bom portfólio

  • Problema claro: por que esse projeto existe?

  • Decisões técnicas: por que essa stack? por que essa arquitetura?

  • Trade-offs: o que você abriu mão — e por quê?

  • Evolução: o que você melhoraria se tivesse mais tempo?

Um bom portfólio responde perguntas antes mesmo da entrevista.

O que quase ninguém faz (e deveria)

  • Explicar decisões em texto simples

  • Mostrar limitações do projeto

  • Assumir escolhas imperfeitas de forma consciente

Isso transmite maturidade. E maturidade contrata.

GitHub: o que recrutadores realmente analisam

Muita gente trata o GitHub como rede social. O mercado não.

Na prática, quando um recrutador técnico abre um perfil no GitHub, ele olha rápido. Muito rápido.

O que chama atenção de verdade

  • README bem escrito (isso é decisivo)

  • Organização do projeto

  • Commits que mostram evolução real

  • Código legível, não “genial”

O que NÃO faz diferença (apesar do mito)

  • Commits diários artificiais

  • Muitos repositórios abandonados

  • Projetos sem contexto

O GitHub raramente decide sozinho. Ele confirma — ou levanta dúvidas.

Testes técnicos: não é sobre acertar tudo

Aqui está outra verdade incômoda: errar em um teste técnico não reprova ninguém automaticamente.

O que reprova é:

  • não entender o problema

  • não saber explicar o raciocínio

  • travar sem comunicar

  • tentar “impressionar” em vez de resolver

O que empresas realmente avaliam

  • Como você lê o problema

  • Como quebra em partes menores

  • Como justifica escolhas

  • Como reage a limitações

Muitos candidatos tecnicamente bons falham porque não narram o próprio pensamento.

O fator invisível que mais pesa: comunicação técnica

Esse é o divisor de águas silencioso.

Dois candidatos com código parecido:

  • um explica com clareza

  • outro responde curto, inseguro ou defensivo

O primeiro quase sempre avança.

Comunicação técnica não é falar bonito. É:

  • explicar sem enrolar

  • assumir o que não sabe

  • mostrar lógica, não ego

Então, o que realmente pesa hoje?

De forma direta e honesta:

  • Portfólio: prova de raciocínio

  • GitHub: evidência complementar

  • Teste técnico: validação, não sentença

  • Comunicação: fator decisivo

  • Contexto: tudo

Empresas não contratam quem sabe mais. Contratam quem transmite mais confiança.

Onde investir seu tempo a partir de agora

Se você quer ser estratégico, priorize:

  1. 1 ou 2 projetos bem explicados

  2. README claros e objetivos

  3. Capacidade de explicar decisões

  4. Menos volume, mais intenção

  5. Treinar explicação, não só código

E, talvez o mais importante: pare de tentar agradar algoritmos imaginários. Foque em pessoas reais.

Portfólio, GitHub e testes técnicos continuam importantes. Mas não do jeito que te ensinaram.

Quem entende como eles são usados joga melhor, se frustra menos e avança mais rápido.

E isso, hoje, pesa mais do que qualquer framework da moda.