O discurso mudou. As empresas falam em diversidade, equidade e inclusão com naturalidade. Mas quando olhamos para o topo da pirâmide corporativa, a realidade ainda é desigual.
A presença feminina cresceu na gestão, mas continua limitada nos cargos estratégicos. E entender esse cenário é essencial para quem quer evoluir na carreira ou tomar decisões mais inteligentes dentro das organizações.
Neste artigo, você vai ver dados atualizados sobre mulheres e liderança no Brasil, entender por que a desigualdade persiste e quais caminhos podem ampliar o acesso feminino aos cargos de decisão.
Sumário
ToggleQual é o cenário atual da liderança feminina no Brasil?
A presença feminina na liderança brasileira cresceu, mas ainda encontra um teto claro nos cargos estratégicos.
Segundo o relatório Panorama Mulheres 2025, lançado em junho de 2025 pelo Instituto Talenses Group em parceria com o Núcleo de Estudos de Gênero do Insper, a presença feminina na alta liderança brasileira segue estagnada.
A pesquisa analisou 310 empresas brasileiras em 2024. Destas, 224 possuem presidência formalizada — e apenas 39 são lideradas por mulheres, o que representa 17,4% do total.
O cenário nos conselhos de administração é igualmente restritivo. Entre as 61 empresas com conselhos ativos, apenas 17,1% das cadeiras são ocupadas por mulheres, e 57,4% desses conselhos não têm nenhuma mulher entre seus membros.
O estudo também mostra que, no ritmo atual, a paridade de gênero na alta liderança corporativa pode levar mais de 160 anos para ser alcançada. Além disso, houve retrocesso em cargos de vice-presidência: a participação feminina caiu de 34% em 2022 para 20% em 2024.
Causa → efeito → impacto:
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Estagnação estrutural na promoção feminina
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Baixa presença nos cargos estratégicos
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Manutenção da desigualdade no centro das decisões corporativas
Os dados reforçam que a desigualdade de gênero na liderança brasileira não é percepção — é evidência mensurável.
Por que as mulheres ainda são minoria nos cargos estratégicos?
A desigualdade na alta liderança não é resultado de falta de competência. Ela é estrutural.
Historicamente, os ambientes corporativos foram construídos sob uma lógica masculina. Redes de relacionamento, indicações informais e modelos de liderança foram moldados por homens e para homens. Esse padrão cria barreiras invisíveis, mas consistentes.
Entre os principais fatores estão:
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Viés inconsciente: avaliações de desempenho podem associar liderança a características tradicionalmente masculinas.
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Falta de networking estratégico: cargos de decisão são fortemente influenciados por redes de confiança.
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Dupla jornada: mulheres ainda assumem maior responsabilidade doméstica, o que impacta disponibilidade e mobilidade.
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Pipeline estreito: menos mulheres conseguem chegar aos níveis imediatamente anteriores ao C-level.
Dados recentes indicam que, em algumas empresas, houve até redução na participação feminina em cargos de vice-presidência entre 2022 e 2024, conforme análises divulgadas por instituições acadêmicas como o Insper.
Causa → efeito → impacto:
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Cultura corporativa resistente
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Estagnação nos índices de alta liderança
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Perda de diversidade estratégica nas decisões
Não se trata de mérito individual. Trata-se de acesso e estrutura.
O impacto da presença feminina na alta liderança
Mais mulheres em cargos estratégicos não é apenas uma pauta social. É uma decisão de negócio.
Estudos internacionais indicam que empresas com maior diversidade de gênero tendem a apresentar melhor governança, maior capacidade de inovação e ambientes organizacionais mais colaborativos.
Além disso, pesquisas divulgadas por veículos como o Correio Braziliense em 2024 destacam que colaboradores demonstram maior confiança em CEOs mulheres em comparação com CEOs homens. Confiança é um ativo estratégico. Ela influencia engajamento, retenção e reputação.
O impacto ocorre em três frentes principais:
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Tomada de decisão mais plural
Diferentes perspectivas reduzem vieses e ampliam visão estratégica. -
Melhoria da cultura organizacional
Ambientes diversos tendem a ser mais inclusivos e menos hierárquicos. -
Fortalecimento da imagem institucional
Investidores e consumidores valorizam práticas alinhadas a ESG.
Causa → efeito → impacto:
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Diversidade no topo
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Decisões mais equilibradas
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Melhor performance e reputação
Portanto, ampliar a liderança feminina não é custo. É investimento estratégico.
O que está mudando no Brasil?
Desafios às trajetórias profissionais das mulheres
Apesar dos avanços na inserção feminina no mercado de trabalho, a desigualdade de gênero permanece evidente, sobretudo nos cargos de liderança e nos rendimentos.
De acordo com o Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho – Março/2025, do Ministério do Trabalho e Emprego, a participação feminina em cargos de direção e gerência permanece praticamente estável entre 37% e 40% no período de 2012 a 2024 (p.10). Isso indica que, mesmo com maior escolarização e presença no mercado formal, as mulheres ainda enfrentam barreiras para acessar posições estratégicas.
A análise detalhada mostra que há diferenças dentro da própria liderança. A razão entre mulheres e homens nos cargos de diretoria oscila entre aproximadamente 53% e 60%, evidenciando sobrerrepresentação masculina nas posições de maior poder decisório (p.10-11). Já nas funções de gerência, essa razão varia entre 69% e 80%, o que demonstra maior equilíbrio — ainda que não pleno — nesses níveis hierárquicos.
Outro ponto central é a desigualdade salarial. O boletim mostra que, em 2012, as mulheres recebiam em média 73,7% do rendimento dos homens, percentual que passou para 78% em 2024 (p.11-12). Embora haja melhora ao longo do período, a diferença permanece significativa.
Esse dado torna-se ainda mais relevante quando comparado às horas trabalhadas. A razão entre horas trabalhadas por mulheres e homens aumentou de 86,6% em 2012 para 90% em 2024 (p.11-12). Ou seja:
Causa → efeito → impacto:
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Mulheres trabalham quase o mesmo número de horas que os homens
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Mas recebem proporcionalmente menos
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A desigualdade salarial persiste mesmo sem grande diferença na carga de trabalho
O boletim também destaca que as mulheres seguem concentradas em setores tradicionalmente associados ao cuidado, como educação e saúde, e continuam sub-representadas nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o que influencia tanto remuneração quanto acesso a cargos estratégicos (p.9 e p.12).
Os dados evidenciam que o desafio não é apenas ampliar a participação feminina no mercado de trabalho, mas garantir ascensão, equidade salarial e presença efetiva nos espaços de decisão.
Como aumentar a presença feminina em cargos estratégicos?
A mudança exige ação organizacional e movimento individual.
Do lado das empresas, algumas estratégias mostram maior eficácia:
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Metas claras e mensuráveis de diversidade
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Transparência salarial e de promoções
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Programas estruturados de mentoria executiva
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Critérios objetivos para promoções ao C-level
Essas ações reduzem decisões informais baseadas apenas em networking fechado.
Do lado profissional, algumas atitudes ampliam as chances de ascensão:
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Construir rede de relacionamento estratégica
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Buscar formação executiva contínua
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Participar de projetos de alto impacto
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Tornar resultados visíveis internamente
Causa → efeito → impacto:
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Estratégia clara + visibilidade
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Acesso a decisões estratégicas
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Aumento real de mulheres no topo
O avanço não depende apenas de esforço individual. Mas preparação e posicionamento fazem diferença quando oportunidades surgem.
Perguntas frequentes sobre mulheres e liderança no Brasil
1. Qual é a participação das mulheres em cargos de liderança no Brasil?
Segundo o Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho (março/2025), as mulheres representam entre 37% e 40% dos ocupados como diretoras e gerentes no período de 2012 a 2024.
Apesar da estabilidade ao longo dos anos, o percentual ainda revela sub-representação feminina nos cargos estratégicos, especialmente nas posições de diretoria.
2. As mulheres são maioria entre diretores e gerentes?
Não.
Os dados mostram que há maior equilíbrio nos cargos de gerência do que nas diretorias. A razão entre mulheres e homens:
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Em cargos de diretoria: varia entre 53% e 60%, indicando predominância masculina.
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Em cargos de gerência: varia entre 69% e 80%, mostrando maior equilíbrio, mas ainda sem paridade total.
Isso indica que, quanto mais estratégico o cargo, menor tende a ser a presença feminina.
3. Mulheres ganham menos que homens no Brasil?
Sim.
Em 2024, as mulheres receberam, em média, 78% do rendimento dos homens. Em 2012, esse percentual era de 73,7%.
Embora tenha havido melhora ao longo dos anos, a desigualdade salarial ainda persiste.
4. A diferença salarial é explicada por menos horas trabalhadas?
Não totalmente.
Em 2024, as mulheres trabalharam cerca de 90% das horas trabalhadas pelos homens, mas receberam apenas 78% do rendimento médio.
Isso indica que a desigualdade salarial não é explicada apenas pela carga horária.
5. As mulheres estão concentradas em quais setores?
As mulheres são maioria em setores ligados a:
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Educação
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Saúde e bem-estar
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Administração pública
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Serviços
Por outro lado, são minoria nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), onde os salários tendem a ser mais altos.
6. A desigualdade de gênero no mercado de trabalho está diminuindo?
Os dados mostram avanços graduais, mas não transformação estrutural.
Houve melhora na razão salarial e aumento da participação no mercado formal, porém:
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A liderança feminina segue abaixo da paridade
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A desigualdade salarial permanece significativa
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A segregação ocupacional continua evidente
O cenário indica progresso lento e desafios persistentes.
A presença feminina na liderança brasileira avançou. Mas o topo ainda é um território desigual.
Os dados mostram crescimento nos níveis intermediários, estagnação na alta gestão e baixa representatividade nos conselhos. A desigualdade não é fruto de falta de competência, mas de barreiras estruturais que limitam acesso.
Ao mesmo tempo, os impactos positivos da diversidade estratégica são claros: melhor governança, maior confiança e decisões mais equilibradas.
O movimento já começou. Mas ele exige continuidade, pressão institucional e preparo profissional.
Se você quer ocupar espaços estratégicos, o primeiro passo é se posicionar.
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