Você já percebeu que as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho — mas ainda sentem que algo não fecha? Os números mostram avanço. A realidade mostra limites.

Falar sobre mulheres no mercado de trabalho não é repetir um discurso conhecido. É entender o que mudou, o que ainda trava o crescimento profissional feminino e por que a desigualdade continua existindo mesmo com mais qualificação e presença no mercado.

Os dados mais recentes do Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho – Março/2025, elaborado com base na PNAD Contínua (IBGE) e na RAIS (MTE), ajudam a enxergar esse cenário com clareza . A seguir, você vai entender o que os números realmente revelam.

A participação feminina no mercado de trabalho ainda é menor que a masculina

A taxa de participação feminina continua abaixo da masculina, mesmo após décadas de avanço.

Em 2012, 51,9% das mulheres participavam da força de trabalho. Em 2024, esse percentual chegou a 52,8%. O crescimento existe, mas é modesto. No mesmo período, a taxa masculina caiu de 74,5% para 72,6% .

Isso revela um ponto estrutural: as mulheres ainda enfrentam barreiras maiores para entrar e permanecer no mercado.

Além disso, a taxa de desocupação feminina segue superior. Em 2024:

  • 7,7% das mulheres estavam desocupadas

  • 5,3% dos homens estavam desocupados

A pandemia agravou esse cenário, levando pela primeira vez a participação feminina abaixo de 50% na série histórica.

Outro dado importante é a subocupação por insuficiência de horas trabalhadas:

  • 5,8% para mulheres

  • 4% para homens

Causa → mulheres enfrentam mais interrupções e jornadas reduzidas.
Efeito → menor renda acumulada e menos estabilidade.
Impacto → dificuldade maior de progressão profissional.

Onde as mulheres estão concentradas no mercado de trabalho

A desigualdade não está apenas na participação. Está também na distribuição das ocupações.

As mulheres estão fortemente concentradas em áreas tradicionalmente associadas ao cuidado e serviços.

No trabalho doméstico, por exemplo:

  • 82,7% dos vínculos com carteira são femininos

  • 90% dos vínculos sem carteira são femininos

No setor público estatutário, elas representam 60,9% dos vínculos .

Em 2023, no grupamento “administração pública, educação, saúde e serviços sociais”, as mulheres somavam 65,1% dos vínculos formais .

Já nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o cenário é diferente:

  • 26,3% dos vínculos são femininos

  • Tecnologia: 23,2%

  • Engenharia: 25,2%

Causa → segregação ocupacional histórica.
Efeito → concentração feminina em setores de menor remuneração média.
Impacto → manutenção da desigualdade salarial estrutural.

Mesmo com maior escolaridade média, as mulheres ainda estão menos presentes nas áreas que pagam melhor.

O mercado formal cresceu, mas a desigualdade permanece

O mercado formal brasileiro cresceu de forma expressiva nas últimas décadas.

Em 2023, o estoque total de vínculos formais chegou a 54,7 milhões, sendo:

  • 30,2 milhões de homens

  • 24,4 milhões de mulheres

A participação feminina alcançou 44,7% .

Esse é um avanço relevante. Em 2002, o percentual feminino era menor.

No entanto, qualidade também importa. As mulheres estão sobrerrepresentadas em vínculos estatutários e contratos específicos municipais e estaduais, muitas vezes ligados a áreas como saúde e educação, que apresentam salários médios inferiores em comparação a setores como tecnologia e indústria .

Causa → maior presença feminina em setores públicos e de cuidado.
Efeito → maior formalização, mas menor remuneração média.
Impacto → avanço numérico sem equiparação de renda.

Mulheres ainda ganham menos, mesmo trabalhando quase o mesmo número de horas

A desigualdade salarial é um dos indicadores mais sensíveis.

Em 2012, o rendimento feminino equivalia a 73,7% do rendimento masculino.
Em 2024, esse percentual chegou a 78% .

Houve melhora. Mas a diferença permanece.

Quando analisamos as horas trabalhadas, o cenário muda:

  • Em 2012, mulheres trabalhavam 86,6% das horas dos homens.

  • Em 2024, passaram a trabalhar 90% .

Isso significa que a diferença de jornada diminuiu mais rápido que a diferença salarial.

Causa → desigualdade estrutural nas posições ocupadas e na valorização do trabalho.
Efeito → mulheres recebem proporcionalmente menos.
Impacto → menor acúmulo de renda ao longo da vida e aposentadorias menores.

Mesmo trabalhando quase o mesmo número de horas, as mulheres continuam ganhando menos.

Liderança feminina ainda avança lentamente

A presença feminina em cargos de decisão ainda é limitada.

Entre 2012 e 2024, o percentual de mulheres em cargos de direção e gerência oscilou entre 37% e 40% .

Entre diretores, a sobrerrepresentação masculina é ainda mais evidente. Nos cargos de gerência, há maior aproximação, mas ainda sem equilíbrio pleno.

Causa → barreiras estruturais, redes de poder historicamente masculinas e segregação ocupacional.
Efeito → menor influência feminina em decisões estratégicas.
Impacto → políticas corporativas menos sensíveis à equidade de gênero.

Sem mulheres na liderança, a mudança estrutural se torna mais lenta.

O que ainda precisa evoluir no mercado de trabalho feminino

Os dados mostram avanços claros. Mas também revelam limites persistentes.

Para que a igualdade avance de forma consistente, alguns pontos são essenciais:

  • Reduzir a segregação ocupacional, ampliando a presença feminina em áreas STEM.

  • Fortalecer políticas de equidade salarial.

  • Ampliar acesso a creches e educação integral, facilitando permanência no mercado.

  • Promover liderança feminina em posições estratégicas.

  • Combater informalidade e precarização.

O boletim reforça que o acompanhamento contínuo desses indicadores é fundamental para orientar políticas públicas eficazes .

A desigualdade não é apenas um dado estatístico. É um impacto direto na trajetória profissional de milhões de mulheres.

Os números mostram uma realidade clara: as mulheres avançaram no mercado de trabalho brasileiro, mas ainda enfrentam barreiras estruturais profundas.

A participação aumentou. A formalização cresceu. A diferença salarial diminuiu levemente. Porém, a segregação ocupacional, a desigualdade de renda e a baixa presença em cargos de liderança continuam limitando o potencial feminino.

Entender esses dados é o primeiro passo. Transformar esse cenário exige ação coletiva, políticas públicas eficazes e decisões individuais estratégicas.

Se você quer ampliar suas oportunidades e crescer profissionalmente, o movimento começa com posicionamento.

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